Embora cada criança seja diferente e cada caso tenha a sua especificidade, existem uma série de características comuns que se têm observado nos casos de crianças “agressoras”. Conhecer algumas dessas características e o contexto em que essas crianças vivem, poderá ajudar-nos a entender melhor alguns dos seus comportamentos.


Têm consciência dos seus atos e dos danos que causam
Na generalidade, as crianças que não tenham um défice cognitivo significativo, a partir dos 8 anos têm consciência de estar a maltratar alguém e sabem reconhecer que o outro se sente mal.


Formas ou estilos educativos dos pais
Estilos educativos autoritários e estilos educativos negligentes ou demasiado permissivos, podem contribuir para o desenvolvimento de características de relacionamento interpessoal violento. Os pais que sistematicamente impõe regras, sem dar qualquer explicação, passam a mensagem aos seus filhos de que essa é a forma de resolver os problemas, isto é, usando a violência ou a força. A criança aprende que pode atuar dessa forma com os outros.


Falta de empatia
Regra geral, a criança agressora, desenvolveu pouca capacidade de empatia, ou seja, pouca aptidão para colocar-se no lugar do outro e compreender os seus sentimentos.
Estas aptidões também se ensinam e educam, cabendo aos pais um papel fundamental no desenvolvimento do respeito, tolerância e compreensão.


Ambiente e contexto familiar
Se existir um ambiente familiar agressivo, seja entre pais e filhos ou entre os pais, a criança acabará por seguir esses modelos de comportamento, interiorizando essas formas de atuação, que depois irá aplicar nos seus relacionamentos. Violência gera violência! E a criança aprende que os conflitos se resolvem com violência verbal ou física.
Muitos casos estudados mostram que as crianças agressoras, foram elas próprias alvo de violência física ou psicológica, como por exemplo, insultos, humilhações ou, até, situações de exigência muito elevada relativamente aos seus resultados escolares e/ou comportamentos, que levam a sentimentos de frustração muito grandes.


Agressões anteriores
Existe uma percentagem de casos de crianças ou jovens que se tornam agressores e que foram eles próprios alvo de agressões ao longo do seu desenvolvimento.


Falta de competências sociais

bullying

Ensinar as crianças a agirem corretamente em diferentes contextos e situações e ajudá-las a reconhecer os seus erros, dotando-as de formas alternativas e mais ajustadas de resolver problemas e conflitos, vai apetrechá-las de recursos psicológicos e comportamentais fundamentais para o seu desenvolvimento harmonioso. O diálogo com os filhos é a base deste crescimento saudável! Explicar à criança que fazer uma coisa mal, não significa ser mau.
Há uma diferença entre ser mau e portar-se mal!
Evite frases como “és mau, já não gosto de ti”. E substitua por “portaste-te mal, vamos pedir desculpa”

Trabalhar coma criança “agressora” não é fácil e requer um trabalho que inclua ensinar-lhe competências sociais, novas formas de resolver conflitos e modificar princípios ou ideias erradas sobre as relações entre as pessoas. Esta tarefa difícil, necessita do apoio de um profissional na área da psicologia e requer igualmente a participação e aceitação dos pais, na modificação de formas de relacionamento e de estratégias de atuação mais corretas e eficazes.
Teresa Pisco
(SPO)

 
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