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O ano letivo de 2017/18 começa no concelho esta segunda-feira, dia 11 de setembro, e os alunos vão encontrar muitas diferenças no regresso às aulas. O agrupamento de escolas foi um dos seis escolhidos pelo Ministério da Educação para por em prática o Projeto Piloto de Inovação Pedagógica (PIPP), um programa nacional de combate ao insucesso escolar em que cada agrupamento concebeu a sua estratégia.

As soluções foram desenvolvidas em articulação com a DGE e não implicam recursos adicionais, créditos horários ou contratações especiais de professores. Em Vila Nova da Barquinha os trimestres dão lugar a semestres, os pais são mais envolvidos, há novos ciclos de escolaridade e novas formas de avaliação. Os chumbos passam a possibilidade remota, mas isso não implica que seja “para passar toda a gente”, diz Ana Santos, coordenadora do projeto-piloto.

Entre o convite da Direção-Geral da Educação (DGE) aos seis agrupamentos, em agosto do ano passado, e a formalização legal dos princípios orientadores dos PIPP passou praticamente um ano. As reuniões sucederam-se e o Despacho n.º 3721/2017, de 7 de abril, autorizou que cada instituição escolar definisse a forma como pretende aplicar este programa nacional para a inovação na aprendizagem. O processo começou no ano letivo de 2016/17 e envolveu a reorganização de programas, turmas, horários, matriz e calendário escolares.

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Paulo Tavares refere que o convite do Diretor-Geral da Educação, José Vitor Pedroso, foi recebido com um misto de “espanto” e “satisfação”. Ser incluído numa lista de seis agrupamentos a nível nacional revelou-se “gratificante por sentir que acreditavam em nós”. Para o diretor do Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha, o PIPP trata-se de um “desafio grande” que estimula a “vontade de começar” nos elementos da comunidade escolar envolvidos.

Como linhas de ação orientadoras tiveram a diversificação e gestão curricular, a articulação curricular, a inovação pedagógica, a organização e funcionamento interno e o relacionamento com a comunidade. Além de organismo coordenador, a DGE orienta o Grupo de Acompanhamento com representantes da Estrutura de Missão para a Promoção do Sucesso Escolar, da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

Paulo Tavares

O processo é diferente da autonomia e flexibilidade curricular, cujo diploma foi apresentado em julho no Agrupamento de Escolas da Boa Água durante o V Encontro de Rede de Escolas PPIP, envolvendo 235 escolas nacionais. No PIPP, as estratégias dos agrupamentos de escolas de Vila Nova da Barquinha, Freixo (Ponte de Lima), Cristelo (Paredes), Marinha Grande Poente (Leiria), Fernando Casimiro Pereira da Silva (Rio Maior) e Boa Água (Sesimbra) foram criadas com base nas respetivas realidades e especificidades dos mais de 7500 alunos abrangidos.

A criação do PIPP de Vila Nova da Barquinha envolveu docentes, assistentes operacionais e encarregados de educação para conseguir “obter os melhores resultados”, diz Paulo Tavares, que passam por “alunos felizes” a quem é necessário assegurar “as melhores ferramentas, a melhor formação, a melhor capacidade para enfrentar os desafios novos que estão a chegar todos os dias”. Ciente de que o novo modelo de ensino pode gerar dúvidas e desconfianças, o diretor assegura aos pais que o agrupamento acredita “101% neste projeto” e sente que “este é o caminho do futuro”.

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Os pais podem acompanhar os resultados das novas medidas escolares através de uma aplicação informática que permite conhecer a evolução do percurso do aluno com atualizações mensais, mas quem preferir pode ser recebido pessoalmente pelo diretor de turma na sede do agrupamento de escolas.

O envolvimento das famílias é um dos focos do PIPP, sobretudo na fase inicial em que alguns ainda demonstram reservas. Uma delas está associada à retenção escolar e Ana Santos esclarece que essa não é a finalidade deste projeto-piloto, mas sim o “sucesso educativo com qualidade”, até porque a taxa de retenção no Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha é baixa.

Ana Santos

No ano letivo de 2016/17 contam-se pelos dedos de uma mão os alunos que chumbaram nas turmas do primeiro ao nono ano de escolaridade. A possibilidade dos alunos ficarem retidos “deve ser sempre remota”, refere, independentemente da flexibilização curricular uma vez que “está mais do que provado que insucesso gera insucesso e o sucesso gera sucesso”.

O PIPP de Vila Nova da Barquinha

Ana Santos explicou ao mediotejo.net como o Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha vai aplicar o PIPP nos próximos dois anos letivos (2017/18 e 2018/19). Segundo a coordenadora do plano pedagógico barquinhense, este é inovador, mas bem sustentado do ponto de vista pedagógico” e as medidas assentes em três linhas de orientação abrangem todos os alunos, mas para já não serão aplicadas no ensino secundário.

HEXACICLOS

Os tradicionais ciclos de escolaridade passam a dois que englobam seis anos, os chamados hexaciclos. O primeiro vai do primeiro ao sexto ano e o segundo do sétimo ao décimo segundo. O objetivo é contrariar a divisão excessiva do ensino e promover a circulação de professores entre ciclos, contribuindo para um acompanhamento mais personalizado dos alunos.

Ana Santos dá o exemplo do docente que continuará a acompanhar as turmas do quarto ano em 2016/17 ao fazer coadjuvação pedagógica durante o ano letivo de 2017/18 no quinto ano de escolaridade. O contacto com a metodologia de ensino do professor mantém-se na disciplina de “Projeto para Todos”, que ocupa três horas semanais.

PROMOÇÃO DO SUCESSO ESCOLAR

Segundo Ana Santos, as medidas atuais ligadas aos Planos de Acompanhamento Pedagógico Individual (PAPI), como os apoios educativos ou os grupos de homogeneidade educativa, “não correspondem às necessidades dos alunos”. O PIPP permite a sua substituição pelos Contratos Pedagógicos Individuais elaborados por cada professor em conjunto com o aluno e a família. Nestes documentos, como em qualquer contrato, as partes envolvidas definem de que forma podem contribuir para “chegar ao bem do aluno”.

Surge a figura do Supervisor de Ano, responsável pela monitorização dos alunos e da evolução do projeto-piloto em cada ano de escolaridade. Este trabalhará em conjunto com a coordenadora do PIPP e as agendas da comunidade escolar terão mais tempo reservado para reuniões de acompanhamento da aplicação das novas medidas.

SEMESTRALIZAÇÃO

No Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha acredita-se que para as medidas de promoção do sucesso escolar resultarem é necessário “um tempo preciso” e os três semestres dão lugar a dois com momentos de avaliação em fevereiro e no final do ano letivo. Esta medida implicou o ajustamento dos horários dos diretores de turma e, por seu lado, os alunos começam a ter uma avaliação direta, a chamada avaliação formativa.

Ana Santos destaca a importância das escolas se libertarem “cada vez mais dos testes” e complementarem-nos com outros “instrumentos de avaliação” modernos, apelativos e intuitivos que vão ao encontro dos interesses dos alunos. O “saber experimental” é um deles e traduz-se no estímulo do sentido crítico e da criatividade.

Fonte: [Sónia Leitão | MedioTejo.Net]

 

 

 

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