Perturbação do Espetro do Autismo

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 Quando os sinais estão lá mas não os queremos ver

“Há alguma coisa que não está bem com o meu filho” – diz, habitualmente, a mãe!

 Muitas vezes, lá no fundo, os pais já associaram vários indícios e já pesquisaram pela internet fora e sabem o que pode ser…mas aguardam com esperança, que o médico, que o professor ou qualquer outro técnico, diga que ainda é cedo, que é uma fase e que de repente vai dar um salto e desenvolver… isto porque receber o diagnóstico de autismo de um filho é sempre partir rumo a algo desconhecido!

É, de facto, muito frequente ser a mãe que percebe, em primeiro lugar, que algo não está bem, não está como ela viu no outro filho, no que leu ou no que observou noutros bebés. Alguns destes sinais manifestam-se efetivamente de forma precoce na relação mãe-bebé.

O olhar, elemento muito básico e importante no estabelecimento inicial do vínculo materno, pode não se verificar desde o início. Enquanto é amamentada, a criança com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) pode não olhar para a mãe e ter um olhar perdido.  

O choro constante, ou a apatia exacerbada, a fraca resposta ao sorriso da mãe, também merecem atenção.

Outro comportamento que pode alertar, é que a criança aceite de igual forma o colo de qualquer pessoa. Aos 8 meses a criança já deve demonstrar a angústia perante alguém que não conhece.

 Não gostar do toque, ficar incomodado com alguns sons e com texturas de certos alimentos, que recusa comer, estas são também algumas características que as crianças com PEA podem evidenciar porque os seus sentidos mostram alterações.

Atraso em dizer as primeiras palavras, não responder pelo seu nome, não apontar ou fazer gracinhas, não mostrar interesse pelas outras crianças. Regredir em competências que já tinha adquirido, nomeadamente na fala e no interesse pelos outros, deve também alertar-nos.

 Usar uma linguagem própria que ninguém entende, brincar com objetos ou brinquedos de forma estranha ou particular, como por exemplo, alinhá-los, separá-los por cores ou tamanhos e não brincar ao “faz de conta”.

Fazer movimentos pendulares estereotipados de tronco, mãos e cabeça ou correr pela casa sem função aparente. Apresentar interesses intensos por determinados assuntos, jogos ou bonecos.  

Estas características, que podem ter diferentes manifestações e intensidades, de criança para criança, indicam-nos que algo não está bem e devem alertar os pais, os educadores/professores e os profissionais de saúde para solicitarem uma intervenção técnica adequada, que possa efetuar a uma correta avaliação, construir um diagnóstico e delinear uma intervenção.

Os diagnósticos e as intervenções precoces, contribuem de forma substancial para um melhor prognóstico! Não se deve perder tempo, pois é muito importante aproveitar a neuroplasticidade do cérebro nos primeiros anos de vida.

Quanto mais cedo as intervenções forem iniciadas, maiores são os progressos, tanto a nível afetivo, como na comunicação, na autonomia e nas atividades motoras. O envolvimento dos pais é, também, fundamental porque é muito importante dar continuidade em casa ao trabalho realizado pelos especialistas.

 

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